
A unidade cristã não é baseada em um acordo a respeito de doutrinas. Por exemplo, não há dúvida de que muitos não concordam com o que estou ensinando neste livro. Mas a nossa obrigação de amar uns aos outros transcende tal desacordo. Nosso amor pelos outros está baseado no fato de que nós temos um compromisso com Jesus Cristo e com todos aqueles que pertencem a Ele.
A verdadeira unidade não é o mesmo que unanimidade. A verdade sincera é que nós todos nunca concordaremos uns com os outros doutrinalmente. Sempre haverá diferenças de opinião. Nem todos têm a mesma revelação. Alguns carecem de compreensão espiritual. Outros não cresceram espiritualmente para receber certas verdades.
O escritor aos Hebreus, por exemplo, tinha desejo de ensinar muitas coisas aos crentes, mas eles eram muito infantis para recebê-las (Hb 5:11-13). Outros, ainda, são teimosos, cheios de opinião ou apenas claramente equivocados sobre muitas coisas.
Portanto, acordo doutrinal nunca poderá ser à base de nossa unidade.
A verdadeira unidade também não é uniformidade. É verdade que somos exortados a ter a mesma mente e a falar as mesmas coisas (1 Co 1:10). Entretanto, esta meta não pode ser alcançada pela insistência em que todos concordem conosco. Esse ideal só pode ser atingido através da obra do Espírito Santo em cada indivíduo. Se insistirmos em que aqueles com quem temos relacionamentos espirituais falem, ajam e pensem apenas de acordo com certas linhas predeterminadas, podemos conseguir uma aparência de uniformidade, mas nunca teremos a verdadeira unidade que Jesus deseja.
Somos instruídos por Deus a manter a "unidade do Espírito" até que todos nós cheguemos à "unidade da fé" (Ef 4:3-13). Assim, vemos que a verdadeira unidade de compreensão espiritual só virá com o crescimento, com a maturidade e, talvez, com a segunda vinda de Cristo. Mas enquanto isso, somos exortados a manter a unidade espiritual - a unidade do Espírito - com cada membro do corpo de Cristo.
A verdadeira unidade também não é conformidade. Muitos grupos de crentes pressionam seus membros, sutil ou abertamente, a se conformar a certo conjunto de práticas e regras. Isto pode envolver o tipo de roupas a vestir, uma gama de atividades, uma submissão a figuras de autoridade ou mesmo uma maneira peculiar e distinta de falar, interagir socialmente ou até mesmo de pregar.
Entretanto, isto também não é unidade real. O homem natural pode ser ensinado e condicionado a se conformar a muitos padrões diferentes. O exército é um bom exemplo disto. Lá, todos se vestem, falam, obedecem e agem do mesmo modo.
Em alguns grupos cristãos, tais coisas também estão em evidência. Mas isso não se constitui em verdadeira unidade. A unidade que Deus procura é a de que todos sejam transformados, para se tornarem semelhantes à mesma pessoa - Jesus Cristo.
David Dyer
